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domingo, 23 de agosto de 2009

Memórias

Vinte e um dias desde minha última postagem e volto como se tivesse sido vinte e um minuto atrás. Meu rosto está ficando cada dia mais lustroso, mas acho que sempre foi, rs.

Minhas duas últimas semanas foram particularmente boas. E, embora seja um sentimento que não tenho com muita frequência, me vi com saudades de pessoas que não via há muito, e, logo, relembrei de momentos tão bons que compartilhei com elas que quase pude sentir o sabor doce e salgado dos risos e lágrimas que transcorreram até hoje.

Convivi talvez por dois dias inteiros com esses fantasmas, mas não foi sombrio. Não sinti dor por não poder tocar neles como pude no passado, foi mais como vislumbrar um pôr-do-sol depois de anos de intensa chuva.

Num redemoinho de imagens, havia pessoas ouvindo Backstreet Boys no fundo do ônibus escolar; uma Torre de Babel; um grupo ensaiando uma peça de teatro; um jornal; cartas; uma menina num corredor; o maracanã inteiro; uma festa de formatura; um buquê de rosas; uma valsa; um colégio novo e brilhante; duas pessoas conhecidas; uma turma de xadrez; uma menina e um fichário; um fã Clube; uma amizade muito antiga; filmes, bolos, pipocas e quartas-feiras a fio; e dias ensolarados. Havia também chocolate e Coca-Cola; um sítio; madrugadas; cobertores pendurados; chinelos voadores; estrelas no céu; microfones, músicas e coreografias; e risadas altas. Depois vieram-se segredos; um irmão; uma cunhada; pizzas; praia; viagens; mais pizza...
Tudo isso arranca risadas de mim, não lágrimas, nunca lágrimas.

Me despeço desse momento de nostalgia sem medo algum. Não tenho medo do passado, mas não pretendo passar meus próximos anos lembrando de tudo que já não existe mais. Haverá momentos para recordação, mas agora é tempo de viver. Meus olhos não percorrem os caminhos pelos quais passei nem pelos quais estou passando. Não ando olhando para o chão. Não mais.

Por hoje é só.
Fiquem com Deus.
Ele os guiará.

domingo, 2 de agosto de 2009

Letra e Música

Sentindo como se não escrevesse aqui há séculos, o que, para a cronologia da internet, não deixa de ser verdade; seis dias após a última postagem (se minhas contas básicas de matemática não estiverem erradas, o que há uma grande probabilidade se considerando a rapidez com a qual a fiz), cá estou eu novamente.

Não tenho muita coisa a dizer. Semana tem sido corrida. Mal acordo e o dia já terminou. Sinceramente, não sei o que está acontecendo. Os dias estão se esvaindo com muita facilidade. Sinto como se estivesse tentando segurar água com as mãos. É frustrante...

Nessas minhas longas viagens de transporte alternativo, acabei percebendo que um bom livro e um iPod (ou smartphone, no meu caso) fazem total diferença. Em um percurso longo e congestionado, você pode se deixar levar para uma dimensão paralela e tentar tirar da cabeça a impressão de que o ônibus está andando de ré. Embora, é claro, sempre há aquelas exceções em que vale a pena retirar os fones de ouvido e fechar o livro para apreciar por um momento a atuação dos camelôs vendendo suas mercadorias para os passageiros que, no fundo, estão dando tanta atenção a eles quanto dão aos seus votos eleitorais...

Dias destes ocorreu um desses momentos em que precisei tirar um dos fones e erguer os olhos do livro que tinha em mãos, pois, ao contrário do típico camelô que entra oferecendo balas, chocolate e trezentos amendoins por um real, havia embarcado um que trazia consigo uma caixa de papelão com cenouras e batatas. Graças a Deus, ele não ousou vender os legumes aos passageiros: eles serviam apenas como amostra de utilidades para o ralador de legumes e verduras que, segundo ele, era o mesmo que Ana Maria Braga usava em seu programa.

Em breve o governo irá acrescentar barraquinhas de camelôs dentro dos ônibus da linha um-nove-nove.

Depois dessa minha péssima piada, eu vou indo dormir.
Muita coisa a fazer e uma vida pra respirar.

Boa noite.