De uns tempos para cá, comecei a questionar o quanto o dinheiro é importante em nossa vida e no que as pessoas estão dispostas a fazer para o conseguir. Bastou apenas um domingo ensolarado para que estas perguntas fossem respondidas. E como foram.
O sol estava grudado na tela azul clara e sem nuvens do céu, nesta ocasião. Estávamos passando de carro pela Avenida Ayrton Senna, em direção à praia, quando paramos em um sinal fechado. Do outro lado da avenida, na direção oposta a nossa, havia um homem negro com saia e blaser brancos, uma peruca loura, um microfone na mão e botas até a altura dos joelhos, numa imitação bizarra e particularmente engraçada da Xuxa.
Naquele momento me passaram duas coisas na cabeça. A primeira, é claro, que ele era maluco para estar vestido daquele jeito sob aquele sol torturante de meio dia; provavelmente estava precisando muito de dinheiro e, sem alternativas, optou por estar ali. A segunda, foi que ele provavelmente deveria morar muito longe da Zona Oeste; afinal, quantas pessoas teriam a coragem de fazer cover da Xuxa numa das avenidas mais movimentadas da Barra da Tijuca correndo o risco de ser conhecido por um amigo ou parente?
Fiquei intrigado. Será que as pessoas estavam mesmo dispostas a fazer tudo por dinheiro? Será verdade quando dizem que todo mundo tem seu preço?
Horas depois, estávamos sentados em um quiosque quando uma mulher se aproximou inesperadamente da nossa mesa oferecendo pulseiras de missangas. Dissemos que não queriamos e agradecemos, mas ela continuou onde estava. Um discurso melancólico foi jogado em nossos colos.
Ela havia passado a noite anterior fazendo todas aquelas pulseiras e não tinha conseguido vender nenhuma até aquela hora. Tinha vindo de muito longe e não tinha dinheiro pra voltar. Questionou por que Deus estava fazendo isso com ela. E junto com o questionamento vieram-se as lágrimas.
Não consegui encará-la. Uma reação atípica minha. Mas as lágrimas me pareceram indecentes.
O sol estava grudado na tela azul clara e sem nuvens do céu, nesta ocasião. Estávamos passando de carro pela Avenida Ayrton Senna, em direção à praia, quando paramos em um sinal fechado. Do outro lado da avenida, na direção oposta a nossa, havia um homem negro com saia e blaser brancos, uma peruca loura, um microfone na mão e botas até a altura dos joelhos, numa imitação bizarra e particularmente engraçada da Xuxa.
Naquele momento me passaram duas coisas na cabeça. A primeira, é claro, que ele era maluco para estar vestido daquele jeito sob aquele sol torturante de meio dia; provavelmente estava precisando muito de dinheiro e, sem alternativas, optou por estar ali. A segunda, foi que ele provavelmente deveria morar muito longe da Zona Oeste; afinal, quantas pessoas teriam a coragem de fazer cover da Xuxa numa das avenidas mais movimentadas da Barra da Tijuca correndo o risco de ser conhecido por um amigo ou parente?
Fiquei intrigado. Será que as pessoas estavam mesmo dispostas a fazer tudo por dinheiro? Será verdade quando dizem que todo mundo tem seu preço?
Horas depois, estávamos sentados em um quiosque quando uma mulher se aproximou inesperadamente da nossa mesa oferecendo pulseiras de missangas. Dissemos que não queriamos e agradecemos, mas ela continuou onde estava. Um discurso melancólico foi jogado em nossos colos.
Ela havia passado a noite anterior fazendo todas aquelas pulseiras e não tinha conseguido vender nenhuma até aquela hora. Tinha vindo de muito longe e não tinha dinheiro pra voltar. Questionou por que Deus estava fazendo isso com ela. E junto com o questionamento vieram-se as lágrimas.
Não consegui encará-la. Uma reação atípica minha. Mas as lágrimas me pareceram indecentes.
Não podia acreditar que ela estava ali ao meu lado, chorando. Foi uma situação desconfortável. O tempo parecia ter ficado cinza depressivo.
Nenhum de nós queria comprar as pulseiras, mas, como ser humanos com sentimentos, estávamos começando a nos sentir obrigados.
Mas será que vale mesmo a pena dançar no sinal de trânsito travestido de Xuxa? Ou chorar nos ombros de desconhecidos implorando desesperadamente para que comprem sua mercadoria?
O resultado dessas perguntas é muito importante. Quero dizer, se as respostas forem afirmativas, eu mudo rapidamente de emprego. Dançar e interpretar. Acho que sou bom nisso.
Tô indo, gente.
Bom dia pra todos.
Beijoo.
Fiquem com Deus.
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